História viva da vinha e do vinho dos Biscoitos
A
história viva da vinha e do vinho dos Biscoitos e da Ilha, a diferença,
o sentir, o viver do povo, o trabalho e a persistência, fazem o
Museu do Vinho dos Biscoitos.
O
Museu surgiu na abertura das comemorações do centésimo aniversário
da Casa Agrícola Brum, no dia 2 de Fevereiro de 1990.
As
vinhas, as características curraletas, uma arquitectura rural edificada
desde o povoamento da ilha, resistiram inalteráveis aos vários cataclismos
que têm assolado a principal zona vitícola da Terceira e uma das
melhores do Arquipélago.
Segundo
A. S. Sampaio, os Biscoitos, situados a noroeste da Ilha Terceira,
assentam sobre pedra lávica, onde são visíveis algumas marcas da
última erupção vulcânica, que teve lugar na ilha, no ano de 1761.
É uma das freguesias mais antigas, fundada em 1568. Tem uma extensão
de três quilómetros entre as Freguesias das Quatro Ribeiras e dos
Altares.
A
pedra vulcânica e a sua cor, biscoitos por analogia com o pão que
levava duas cozeduras a fim de aguentar viagens marítimas, é o território
lávico onde a cultura da vinha se iniciou no grupo Central do Arquipélago
dos Açores. precisamente com a casta Verdelho.
Nos
Biscoitos, os terrenos dificultam as surribas ou viradas, que são
feitas durante o Inverno, a uma profundidade que varia entre os
0.60m e 1 metro, o que nem sempre é possível visto que as covas
são muitas vezes abertas junto das rochas não garantindo por isso
um "palmo de terra". Assim, fende-se a camada de rocha
não só para permitir o alongamento das raízes através das fendas,
mas também para se facilitar a penetração do ar, indispensável à
vida das raízes. Este trabalho é hoje raro nos Biscoitos.
Após
a invasão da Phyloxera, houve que se utilizar o bacelo americano
como porta de enxertos, a fim de evitar esta doença nas castas mais
seleccionadas. O phyloxera assentou arraiais na Ilha Terceira
cerca do ano de 1870. Como curiosidade, a enxertia teve lugar com
a reconversão, entre 1890 e 1897.
Junto
do núcleo principal do Museu do Vinho dos Biscoitos, encontra-se
instalado um Campo Ampelográfico, com 23 castas que vegetaram nas
nossas Ilhas.
Trabalhos
de microvinificação, sinonímias, tipos de poda, etc., poderão ser
efectuados por escolas e Universidade, quando acompanhadas por um
técnico da especialidade.
Quando
o oídio, o míldio e mais tarde o phyloxera
chegaram à Ilha Terceira, os Biscoitos tinham como principal riqueza
a vinha.
No
ano de 1649, segundo Drumond, chegou-se a trocar uma pipa de 550
litros de vinho Verdelho por 5 cavalas e um tostão, o que originou
desinteresse. Como curiosidade, no ano de 1993, a mesma quantidade
de Verdelho foi vendida logo após a pisa, por 220 mil escudos. No
século seguinte voltou-se novamente a plantar vinha nos Biscoitos,
só que por volta do ano de 1852, o oídio assentava arraiais
na Ilha Terceira: era a guarda avançada dos terríveis flagelos que
iam cair sobre os viticultores.
Conduzidas as uvas ao lagar, entram os homens e também muitos visitantes
do Museu; a cortar as uvas a pé descalço - é a pisa. Após o processo
de bica aberta (sem balseiro) e depois de ter sofrido transfegas,
o vinho fica em estágio 4 a 5 anos. Duas prensas portuguesas do
início do século, o lagar e as vasilhas em madeira de carvalho e
castanho completam o recheio da adega do Museu.
No
piso superior, funciona uma sala etnográfica, onde estão expostos
os instrumentos usados em épocas recuadas, nos trabalhos culturais
e de vinificação. Em vitrinas documentação referindo-se à vinha
e ao vinho da Ilha Terceira e nos Açores.
Este
edifício foi construído no ano de 1931 e custou cerca de 22 mil
réis.
Junto
do núcleo principal do Museu do Vinho dos Biscoitos, encontra-se
uma torre ou torreão, construção de 1761, assim como vários pátios,
onde se podem ver alguns lagares, uma preocupação em relação à conservação
dos mesmos, uma vez se encontrarem, por falta de espaço, no exterior.
Lagares de vara, muito rústicos, alguns deles escavados na própria
pedra, identificando assim o próprio viticultor.
Existia
também na Ilha o lagar móvel. Como exemplo, refere-se a prensa existente
no Museu, de dois fusos, tipo egípcia e que no Sul da Ilha Terceira
andava de porta em porta para quem não tivesse prensa, uma vez que
as uvas eram pisadas em dornas. Por vezes também se utilizava o
lagar do vizinho mais próximo, raramente se pagando algo em troca,
ou então deixava-se o engaço para o proprietário do lagar fazer
aguardente, caso da freguesia das Cinco Ribeiras.
Tem
o Museu uma destilaria composta de dois alambiques, a fogo directo,
sendo um do século passado, com as serpentinas em estanho e com
a capacidade de 240 litros, e outro de 360 litros. Ambos de fabrico
português. Aqui destilavam-se as aguardentes destinadas à beneficiação
dos vinhos generosos/licorosos produzidos pela Casa Agrícola Brum.
No mesmo edifício encontram-se os depósitos de fermentação do "vinho
de cheiro" (híbrido produtor directo), que se destina às festas
populares da Terceira e a ser consumido pelos trabalhadores do Museu
durante o ano. Este edifício é de 1931 e custou na altura uma verba
superior a 4 mil réis. Como curiosidade, a verga da porta custou
30 réis.
NÚCLEO
PRINCIPAL DO MUSEU DO VINHO
Situado na Canada do Caldeiro (devia ser Caldeira), a 50 metros
do centro da Freguesia dos Biscoitos, a 18 km de Angra do Heroísmo
e a 22 km da Praia da Vitória, é uma propriedade de 10 alqueires
(para além dos mais 60 que englobam a exploração de Verdelho), constituído
pelas seguintes secções:
- Adega
do Vinho Verdelho
- Destilaria
- Sala
etnográfica
- Sala
de provas
- Casa
típica (engarrafamento do Verdelho do Museu)
- Casa
típica (sede da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos)
- Campo
ampelográfico
- Latada
- Vários
pátios
- Torre
Em
recuperação: Eira e palheiro e o 2º piso do edifício da sala de
provas.
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